Em 2012, o jornal The Economist publicou uma edição especial que fazia referência a uma terceira revolução industrial. A primeira, no sec XVIII, começou com a mecanização da industria têxtil – que, depois, se expandiu para outras áreas. A segunda, iniciada no séc XX, com as linhas de montagem, permitiu a produção em massa. A terceira revolução industrial, que está em andamento, leva a uma diminuição da produção em massa para dar lugar a uma produção em menor escala, mais individualizada, com novos materiais e serviços que anteriormente não existiam. Isto também pode levar ao reaparecimento de profissões em países ricos que já não existiam.
Esta terceira revolução industrial carateriza-se, então, por novas alterações na produção de objetos. Há uma digitalização cada vez maior dos meios de produção – mais robots a produzir, o que significa menos trabalho manual (logo, menos emprego no meio industrial); no entanto, esta digitalização dos meios de produção é imprescindível pois há inúmeros objetos cuja produção não seria possível com trabalho manual. Ao mesmo tempo, começa a haver mercado para uma produção em menor escala, mais individual/personalizada do que a produção em massa – por exemplo, com a utilização de impressoras 3D.
Com as impressoras 3D é possível, cada vez mais, produzir pequenos objetos, em menor quantidade e com um preço por unidade relativamente estável – que é contrário às economias de escala, na qual quanto maior a produção, menor o preço por unidade. Isto permite a existência, cada vez mais, do aparecimento de novos serviços baseados na colaboração entre diversas partes – de crowdsourcing –, no sentido em que uma pessoa que possua uma impressora 3D consegue facilmente criar um negócio online com ela.
Há mesmo empresas, nomeadamente startups, que utilizam serviços de crowdsourcing para perceber o que o público/mercado querem ou necessitam – pedindo sugestões de novos produtos ao público, criando protótipos dos mais populares e testando esses produtos com um número reduzido de unidades, antes de passar a uma produção em maior escala.
A Quirky é uma empresa que tem exatamente o objetivo descrito: ajudar pessoas com ideias a criar os seus próprios produtos. No seu website, a empresa descreve-se da seguinte forma:
“Quirky is a free community-led invention platform that brings real people’s ideas to life. Invention is hard. It requires a diverse set of skills, and it costs a lot of money. Everyday people have brilliant ideas but no way to see them become real products. Quirky makes inventing and selling products possible by pairing inventors with product designers and big manufacturing companies that can bring their ideas to life.”
As empresas como a Quirky conseguem, então, testar tanto os produtos como os preços a praticar antes de se comprometerem com uma produção maior, aumentando as probabilidades de sucesso; ao mesmo tempo, estes serviços permitem a qualquer pessoa com uma boa ideia criar, ou colaborar com a criação, de novos produtos.
Para além de pequenos objetos, existem já impressoras 3D que permitem a construção de casas, de forma rápida e com um preço acessível. A startup italiana Wasp utilizou uma impressora 3D para construir casas a partir de barro, com um custo de 35€, que teriam como um dos objetivos alojar populações em alturas de catástrofes naturais.
O método de trabalho das startups é, principalmente, de adhocracia – um método de trabalho mais ágil e rápido, com uma grande componente de experimentação, e menos assente em hierarquias. Podemos referir aqui o método Agile como exemplo, que por sua vez se pode ramificar noutros métodos mais específicos.
Neste método, o trabalho é organizado tendo em conta as oportunidades, e muito baseado na tentativa/erro: é um método de experimentação no qual se elaboram protótipos ou mesmo produtos finais, de modo muito rápido, e se lançam para o mercado por forma a testar e fazer melhorias posteriormente. Pelo contrário, em métodos mais ligados com a burocracia, nomeadamente o modelo de waterfall, a equipa passa muito tempo na elaboração de um produto final, que ao ser lançado no mercado pode ainda apresentar falhas e precisar de uma manutenção maior.
Não existe um método certo nem errado de trabalho, pois cada empresa deve escolher o que mais se adequa às suas necessidades; no entanto, na época de rápidos avanços tecnológicos em que vivemos, a adhocracia pode facilitar, agilizar e permitir às empresas lançarem os seus produtos no mercado mais rapidamente, de modo a ver qual a reação do público e adequar o produto, em vez de passarem muito tempo a trabalhar num produto que pode não ser bem recebido.
Referências:
Grima, J. (2012). Adhocracy. in Asian Design: Histories, Collecting, Curating. Milan
Birkinshaw, J., Ridderstråle, J. (2015), Adhocracy for an Agile Age. Disponível em: https://www.mckinsey.com/business-functions/organization/our-insights/adhocracy-for-an-agile-age