Resumo
A cultura digital que atravessa todas as áreas de atividade da sociedade moderna é cada vez mais sedimentada nas interfaces digitais com que o cidadão interage social e culturalmente—métricas, indicadores de progresso e recompensas cujo valor é imaterial. O videojogo aplicado ao contexto social desempenha na era digital um papel de extrema relevância como um meio horizontal, capaz de facilitar ao cidadão ferramentas para informar, aprender, produzir informação, e para ainda se autoatualizar segundo um ideal de progresso.
Gamificação (Deterding, 2011) apresenta-se como a mais recente e eficaz estratégia para mediar interações e extrair padrões comportamentais do público através da aplicação de mecanismos de jogo no espaço social cibernético. A sua presença no software e nas redes sociais impõe um tipo de sistema dominante: um espaço no qual os métodos do game design constituem mecanismos de controlo comportamental através da sublimação automática do jogador num agente participante de um monopólio de dados – um novo sistema de governamentalidade (Schrape, 2014) denominado de gamespace (Wark, 2006).
Este artigo toma o organismo gamespace como foco de estudo, procurando sistematizar os mecanismos de jogo que são colocados em prática para configurar os fluxos de informação entre o jogador e o mercado global de dados. Esta abordagem de estudo é tomada a fim de sugerir práticas de contra-gamificação (Dragona 2014) para um game designer crítico: um papel atualizado do game designer que considera as implicações tecnoéticas dos aparatos lúdicos que desenha e que toma como objetivo incitar no jogador uma experiência reflexiva das arquiteturas de controlo subjacentes às interfaces digitais de comunicação. A sugestão de uma prática crítica para o game designer poderá em desenvolvimentos futuros orientar o gamespace para uma atualização que envolva o jogador como agente ativo na produção de matéria cultural através das interfaces gamificadas de um modo emancipado, consciente e informado.
Palavras-chave: game design, gamificação, gamespace.
Documentos:
Gamespace: O game designer e as arquiteturas de poder (.pdf)
Gamespace: O game designer e as arquiteturas de poder (.docx)