A mudança pela mão de quem cria

A construção de um mundo melhor através do design não depende apenas de seus processos, mas sim da intenção de quem o cria e das instituições que estão por trás.

O design social hoje tem uma visão otimista sobre a inovação com um propósito, sobre o design com responsabilidade social. É perceptível um idealismo sobre a necessidade de pensar diferente, sobre criar novos começos sobre ideias cruzadas e habilidades multidisciplinares. Esse idealismo vem historicamente de uma evolução de gestões, pensamentos e gerenciamentos de projetos após a terceira revolução industrial junto aos conceitos de adhocracy.

A palavra “Adhocracy” foi disseminada por Alvin Toffler em 1970 com um ideal o oposto ao da burocracia. Onde nasce a ideia de projetos com colaborações multidisciplinares.

A exposição “Adhocracy”, que aconteceu no Istanbul Design Biennial em 2012, reúne a ideia de terceira revolução industrial com a ideia de que qualquer pessoa poder criar novos produtos, fazendo do papel do processo de criação muito mais evidente que a criação visual. O design se torna parte de todo um processo do inicio ao fim, da investigação aos resultados. Deixa-se de lado a busca pela perfeição, abraça a ideia da imperfeição como parte de um processo que está sempre em evolução, onde a ação de fazer é o mais importante.

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Image: 1st Istanbul Design Biennial – Adhocracy – The Archaeology of Now

 

“Adhocracy” é uma tentativa de tecer um fio crítico através da rizomática multidão de idéias, objetos e fenômenos; A adocracia procura interrogá-los, problematizá-los e interpretá-los. Seus conteúdos são amplamente mostrados sobre a vida cotidiana, do ar que respiramos como cidadãos do século XXI.
ADHOCRACY, Joseph Grima.

[Tradução Livre] [1]

Essa evolução de processos construiu todo um novo a partir de transformações significativas para o impacto social. São novas formas de gestão, economias, poderes, estruturas sociais.

Vemos hoje, também, surgir a cada dia mais e mais projetos pelo mundo com esse desejo de transformação e impacto social, vemos projetos sociais e eventos no design com a visão de impacto social significativo, projetos como Design for Social Impact Symposium na Austrália, Dark Matter no Reino Unido, Do Something na Austrália, BlueRidge Labs em Nova York e também vemos projetos disseminados como a IDEO.org e estúdios de design como Greater Good Studio, que realizam projetos com intuíto de fazer a diferença pelo design e apoiar a mudança social.

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Image: © 2019 Greater Good Studio

 

“O design mudou fundamentalmente a maneira como vivenciamos o mundo, da forma como interagimos com os objetos até nossas expectativas sobre como as organizações são estruturadas. É um momento novo e excitante para o design – isto é, até o próximo começar a surgir.”
Rob Walker, A Golden Age of Design

[Tradução Livre] [2]

Por fim, a evolução segue ao dia a dia, seguimos sobre os questionamentos do papel do design sobre a sociedade hoje, sobre a construção de um mundo justo e sobre os caminhos que o design está a tomar, onde por um lado vemos uma forte vertente “human-centered”, por outro, um caminho que segue de interesse ao lucro corporativo. Sabemos onde estamos, mas com a evolução constante das novas tecnologia, da automação, da inteligência artificial, sabemos para onde vamos? Assim voltamos ao questionamento inicial, em que a construção de um mundo melhor não está apenas nos meios, mas nas mãos e na intenção de quem o cria.


Palavras Chave:
Revolução Industrial, Adhocracy, Design, Inovação Social.

[1] Grima, J. (2012). Adhocracy. Em M+ Matters.

[2] Walker, Rob. (2014). “A Golden Age for Design”. New York Time

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