Escolha a vida!

«Escolha a vida, escolha um emprego, escolha uma carreira, escolha uma família. Escolha uma grande TV … »

Lembre-se de Trainspotting? O filme nos cativou com um discurso transgressivo; nos convidou a abraçar o niilismo, a busca do prazer imediato e a autodestruição como a única alternativa a um sistema voraz que consumia nossas existências mundanas.

20 anos depois, como se fosse um software, a sequela desse mesmo filme nos ofereceu uma versão atualizada do mesmo discurso:

«Escolha a vida. Escolha o Facebook, Twitter, Instagram e reze para que alguém em algum lugar se importe … »

E isso é certamente verdade, há alguém em algum lugar que se importa e muito.

O Samsara, (ciclo de reencarnações budistas) já é história; Agora você não precisa esperar pela sua próxima vida para reunir os frutos que você semeia durante a sua existência.

Seja gentil, cumprimente seus vizinhos, seja educado, e com um pouco de sorte você terá um Green Channel que lhe permite viajar, um bom serviço sanitário e um ótimo trabalho.

Existem várias referências que podem orbitar em perfeita harmonia com a iniciativa distópica que o governo chinês pretende realizar.

Foucault na sua biopolítica, falou de que as novas formas de poder impõem normas a nós sem que tenhamos consciência disso, cuja intenção não é mais subtrair a vida, mas produzi-la, regulá-la, torná-la eficiente.

O Panóptico Digital de Byung Chul Han usa a mesma ideia, dando-lhe a estrutura arquetípica da arquitetura da prisão.

Os irmãos Wachowski; já em 1999 previam o futuro da existência humana como mera fonte de energia a serviço das supra estruturas de um sistema hiper-tecnológico.

Longe da visão orwelliana, em que o sistema parecia obedecer às ordens de uma elite maquiavélica desprovida de escrúpulos e sedenta de poder, o que propomos aqui está mais próximo da ideia de um demiurgo sem cabeça. Um organismo vivo que vagueia pelas ruas das nossas cidades e que pouco a pouco acabará sendo instalado em cada uma de nossas cabeças.

Será que o hedonismo autodestrutivo e a lisergia imediata (como Mark Renton, Sick Boy, Spud e Tommy propõem) são a solução mais sensata?

 

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