Critical by Threath

O design leva décadas na busca de uma identidade disciplinar delimitada pela natureza de sua prática. Tornar-se uma disciplina que consegue contribuir para a criação de conhecimento no atual contexto acadêmico, deixou em evidência algumas tensões naturais com a tradição epistemológica da academia. Estas tensões são agravadas contra o trabalho domina a aliança: marketing, publicidade e branding, bem como contra o surgimento de expressões grosseiras nascidas da banalização de métodos incorporados no processo criativo do designer

É por este contexto adverso que este post, por um lado, celebra o surgimento de tendências que questionam a visão hegemônica que o Design esta naturalmente ligado a resolução de problemas ou orientado para o mercado, e por outro, visa rever essas correntes contra ameaças de automação que agora emergiram transversalmente das bocas de especialistas internacionais.

O Design Crítico [1], dos autores Anthony Dunne e Fiona Raby, propõe a especulação como método para abordar questões sociais, políticas e culturais imbricadas nos objetos presentes no cotidiano. A experiência, quanto criadores, dos designers nesses objetos, lhes dá uma perspectiva privilegiada para interpretar as diferentes camadas imbricadas em sua criação. Um exemplo que consegue representar graficamente essa experiência, independente dos métodos especulativos do Design Crítico, é o trabalho do grupo de Forensic Architeture. Para estes, as imagens sempre desempenharam um papel significativo no discurso político, particularmente quando os atores políticos as utilizam para alterar narrativas de justiça, direitos ou responsabilidades. A partir desta abordagem, eles têm desenvolvido trabalhos como Nakba Killing Day, que investigou todo o material disponível sobre os assassinatos em Nakbar no “15 May 2014”, a fim de gerar um corpo de evidências que poderiam ser usados ​​para fazer justiça e culpar os verdadeiros perpetradores. No processo, os designers aparecem com um papel de liderança na reconstrução (através do modelagem) das cenas principais do case.

Uma possível leitura do caso é que a expertise do designer sobre a mídia que ele usa diariamente é de grande valor para outros espaços além daqueles ligados ao mercado, e por causa de sua proximidade imediata da realidade, eles conseguem transcender a cultura e os códigos da academia na construção do conhecimento. Designers são confrontados com dados, que se tornam úteis quando adquirem um sentido, em um contexto e com um propósito. Finalmente, sentido e significado são construções técnicas e culturais e o design, como disciplina, acaba sendo crucial em seu desenvolvimento.

Hoje em dia pode-se observar que essas práticas, técnicas e domínio sobre a mídia, embora tenham grande valor, também possuem uma data de validade. A ameaça de ser automatizado é patente. Um exemplo que descreve o acima é o fenômeno que agora acontece na área da animação digital. Assim como os cartunistas da Disney foram substituídos pelos ilustradores 3d, eles agora enfrentam a ameaça de serem substituídos por servidores e as possibilidades que emergem da “Machine Learning”. Essas tecnologias estão ganhando cada vez mais espaço na indústria 3d, ocupando tarefas que pareciam impossíveis de serem desenvolvidas por computadores há alguns anos.

A capacidade de “prever” a partir de grandes bancos de dados abriu as portas para campos que se acreditava serem exclusivos das habilidades humanas e que hoje redefinem como a criatividade é expressa. Tarefas como geração de texturas e modelagem 3D estão sendo as primeiras vítimas, no entanto, a geração de estilos visuais e linguagens complexos também são campos que estan a ser conquistados.

Isto fica bem ilustrado nestes dois artigos. O primeiro, de nome: A Style-Aware Content Loss for Real-time HD Style Transfer [2], é uma investigação cujo resultado é um programa que consegue extrair estilos de diferentes pintores para depois serem usados ​​na reconstrução de fotografias reais com ditos estilos.

A segunda, desenvolvida na Chinese University of Honk Kong [3], está baseada em instruções textuais, que são interpretadas (processadas) para a construção do que elas indicam. O âmbito destas tecnologias nas indústrias criativas são imensas, mais também não só em termos de potenciais ameaças, mas também como ferramentas que podem reconfigurar os processos criativos de estilistas, também expandindo o escopo de suas criações.

Diante do exposto, é possível concluir que o design é capaz de atuar em diferentes áreas além dos limites impostos pelo mercado, uma vez que sua prática lhe deu expertise em uma ampla gama de mídias e, ao mesmo tempo, a necessidade de adaptar-se às novas tecnologias.

[1] DUNNE, Tony; RABY, Fiona (2016) Tony Dunne & Fiona Raby – Critical Design, Source: Gidest

[2] Artsiom Sanakoyeu, Dmytro Kotovenko, Sabine Lang, and Björn Ommer (2018). A Style-Aware Content Loss forReal-time HD Style Transfer. Heidelberg Collaboratory for Image Processing,IWR, Heidelberg University, Germany.

[3] Han Zhang1, Tao Xu2, Hongsheng Li3,Shaoting Zhang4, Xiaogang Wang3, Xiaolei Huang2, Dimitris Metaxas (2017). StackGAN: Text to Photo-realistic Image Synthesiswith Stacked Generative Adversarial Networks. arXiv:1612.03242v2

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