Critical of What?

Palavras chave: Audiência; Crítica; Capitalismo; Consumismo; Design; Produção.

Face a um design generalizado, extinto de crítica conceptual, somos capazes de criar uma imagem de um futuro no qual o design crítico não terá papel. Contudo, é através do levantamento desta problemática que é possível de criar uma ligação entre a evolução do design e o papel da crítica na mesma, através de uma questão: Critical of What?

Com a sua natureza enraizada na percepção da realidade de um modo crítico e materializado através da utilização do design como meio de expressão, o design crítico nasce como uma vertente do design capaz de criar um objeto alvo de contemplação e expressivo de uma noção da realidade que faz a audiência questionar o seu propósito.

“(About Critical Design) There’s the official Design that you get from the industry, and then you can offer an alternative for a Design that has a different way of seeing the world, and setting up some kind of tension or conversation.” [1]

Dunne & Raby apresentam-se como a dupla originária de manifestações artísticas capazes de expressar as noções da realidade atual que se mantém obscuras, materializando-as como propostas de design crítico.

Considerando a noção da praticidade associada ao design, Dunne & Raby observam as possibilidades projetuais que provém do processo criativo. Contrariamente ao que é estabelecido pelo processo convencional de produção, o objetivo do projeto não é a obtenção de uma única solução capaz de resolver um problema, mas sim explorar todas as possibilidades que surgem dessa questão.

Com o design atual, a questão é outra.

Com uma ideologia fixada na utilidade da produção e na criação de uma ligação emocional da audiência ao objeto, a crise (crítica) atual do design está limitada aos interesses económicos que estão associados à sua produção. Com a fusão do domínio económico com o domínio criativo, esta mentalidade que remota à época modernista (na qual a produção em massa era exemplar)  transmite uma ideia de crítica que transcende a realidade, tornando-se limitada à realidade consumista.

A posição do design crítico na atualidade (e no futuro) é salvaguardar a existência de um design baseado em ideais opostos aos generalizados, construindo uma vertente que emancipa a audiência da mentalidade consumista.

Maria Fraga

Notas

[1] DUNNE, Tony (2016) in Gidest (Tony Dunne & Fiona Raby – Critical Design)

Referências

DUNNE, Tony; RABY, Fiona (2016) Tony Dunne & Fiona Raby – Critical Design, Source: Gidest

LIPOVESTKY, Gilles; SERROY, Jean (2013) A estetização do mundo: Viver na era do capitalismo artist, Portugal: Companhia das Letras

LIPOVESTKY, Gilles (2015) L’Oréal, “Artistic capitalism”? (GIlles Lipovetsky) – Philosophy of Beauty, Source: L’Oréal

LIPOVESTKY, Gilles (2015) “How “”artistic capitalism”” enrich our daily life with beauty?” (Gilles Lipovetsky), Source: L’Oréal

 

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