Manifesto

Grupo:

Maria Fraga & Nádia Ferrer

 

Ver manifesto em:
Manifesto
Publicado a
por 

 

Existência — Exprime o objecto “absoluto”, o que já se encontra “escrito” no espaço temporal. Esta não necessita da presença da “Utopia” para ser compreendida, no entanto, o seu constante aperfeiçoamento provém da admirável vontade de se transformar.

Utopia — Esta palavra é extremamente essencial para a palavra “Existência” se exprimir no seu conceito mais puro: o que é ‘palpável’, não tirando a importância à palavra — utopia — que expressa a vontade de trazer esse “objecto” dito de ilusório para o espaço contemporâneo.

Idealizar Um Futuro

O Design Especulativo — Speculative Design — tem como ideia de que o design deve ser funcional e não apenas de caracter estético — é defensor do restabelecimento à raiz do funcional, da ideia e do investimento por detrás dela.
Para que o “objecto” funcione futuramente, exactamente da maneira como desejamos, terá antes de passar por uma prática projectual onde a narrativa e a retórica são primordiais. 

No livro “Speculative Everything” escrito por Anthony Dunne[1] e Fiona Raby[2] em 1998 — onde se dá o primeiro uso do termo “Speculative Design” introduzido pelos autores — é nos dada uma nova forma de olhar o design e do papel enquanto designer sublinhando a afirmação anterior — o design deve ser usado como uma ferramenta que cria não só “coisas” mas também “ideias”, de forma a especular futuros possíveis.
Muitas vezes o “objecto” só se concretiza devido ao investimento feito na investigação. A suposição e a teoria têm um papel imperativo nesta matéria quase como se o resultado perde-se imponência.

“Haja uma prática de design na qual a hipótese — a proposta — tenha maior estima do que necessidade e justificativa.”

— Daniel Van der Velden[3]

A metodologia projectual que Bruno Munari[4] defende é, de certa forma, aliada a esta ideia de que a interrogação ao objecto seja pertinente, confirmando a teoria de Daniel Van der Velden (explícito na citação anterior). O processo criativo que Munari utiliza no seu livro — Das Coisas Nascem Coisas — expõe a importância do processo em si – defende que o problema deve ser dividido, explorado e reflectido sobre todas as suas vertentes até chegar à solução. Podemos assim prever que a questão tem um papel mais significativo que a resposta.

“Em vez de dar as respostas erradas, o design deve começar a fazer perguntas interessantes.”

— Daniel Van der Velden

É portanto no processo que nos aproximamos a um futuro desejado, embora esta afirmação nos pareça contraditória face à fama e ao método corrente de que os Designers são “vítimas” e por conseguinte vistos da mesma forma pela sociedade: solucionadores de problemas.

Possivelmente, o método do Design Especulativo já foi usado anteriormente.

Na criação da gillette (por ex.) um olhar sensivelmente futurista do seu criador, King C. Gillette[5], pela maneira como explorou a navalha, objecto utilizado, em tempos, para o exercício de barbear, um objecto não seguro e trabalhoso (pelo facto de ter de ser afiada frequentemente) para obter algo futuramente mais eficaz, assim como a sua “exploração” ao longo dos tempos (redesign), até chegar-mos ao produto que temos nos dias de hoje — futuro desejado — embora tenha sido através da implementação do termo, por Dunne e Raby, que se começa uma conversão radical.

“O verdadeiro investimento é o investimento no próprio Design, como uma disciplina que realiza pesquisa e gera conhecimentos”

— Daniel Van der Valden

Alvin Toffler[6] faz uma afirmação, de certa forma, da teoria do Design Especulativo — confirmado no livro “The Third Wave” — onde Toffler explica o seu método de trabalho, a sua forma como obtém uma hipótese viável e testada. Toffler adquire e explora a informação em todos os tipos de fontes (desde livros, jornais, reportagens, até entrevistas – entre outros – em diversas partes do mundo).

O Designer não está agora só associado aos “Arts and Crafts”, está também associado à ciência – referindo-se a qualquer matéria do saber, do conhecimento.

O Design Especulativo não tem a receita pronta para a mudança. Ele baseia-se na curiosidade. Este sugere uma hipótese baseada na informação pelo debate ponderado sobre a sociedade e a política, e não com medidas emergência.

O papel do designer está em perigo. Designers estão cada vez mais ameaçados de se tornar o proletariado da indústria criativa, silenciosamente executando o que o cliente ditar. (…) O designer deve lançar-se completamente na sua produção pessoal e independente de conhecimento. Hoje, se há algo que precisa ser projetado, é o próprio designer.

— Daniel Van der Valden

Bibliografia:

http://www.processocriativo.com/das-coisas-nascem-coisas/
Processo Criativo usado no livro “Das Coisas Nascem Coisas”
https://www.dasym.com/speculation-way-design-future/
Speculative Design  em “Desenhar um futuro”
Speculative Everything by Anthony Duane and Fiona Raby
https://tinyurl.com/SpeculativeDesign

 

Notas:

[1] Dunne, Anthony. University Professor of Design and Social Inquiry and a Fellow of the Graduate Institute for Design Ethnography and Social Thought at The New School in New York..
[2] Raby, Fiona. University Professor of Design and Social Inquiry and a Fellow of the Graduate Institute for Design Ethnography and Social Thought at The New School in New York.
[3] Van der Velden, Daniel. Researcher and designer currently working on the Metahaven Sealand Identity project.
[4] Munari, Bruno. (Was) Italian artist, designer and inventor who contributed fundamentals to many fields of visual arts in modernism, futurism, and concrete art and in non visual arts (with his research on games, didactic method, movement, tactile learning, kinesthetic learning and creativity.)
[5] C. Gillette, King. (Was) American businessman (inventing a best selling version of the safety razor).
[6] Toffler, Alvin. American writer, futurist, and businessman known for his works discussing modern technologies

 

Palavras-chave:

Design Especulativo; Funcional; Possibilidade; Questões; Conhecimento; Curiosidade.

— A Raça, o Design e o Ciberespaço

A sociedade que hoje conhecemos é fruto de um condicionamento e uma educação. E a discrepância entre raças foi construída ao longo do tempo através da codificação de comportamentos condicionados pelos seres humanos.
A instalação de sistemas impostos para uma separação da sociedade isentou-a de formar uma aproximação mais clara, entretanto, as disparidades entre as duas raças — Negro-Caucasiano — ganha vultuosidade, e estas renunciam uma à outra.

Hoje que se verifica um misto racial dentro do próprio auditório[1], não será possível de se prever a interação entre indivíduos — sobretudo num espaço onde a anonimosidade prevalece — na internet. Como Henry Jenkins[2] diz num slogan de um cartaz anunciando um fórum público hospedado pelo MIT[3] sobre raça e espaço digital, The color-blind Web: a techno-utopia, or a fantasy to assuage liberal guilt?:

“In Cyberspace, nobody knows your race unless you tell them.”

As pessoas assumem automaticamente que todos os participantes online são de raça branca. Isto é algo totalmente inconveniente para a raça sub-representada, criando um ambiente de plena exclusão.
É do meu interesse abordar este tema de representação — a falta e/ou a má — a fim de originar uma reflexão acerca do mesmo: o facto de não encontrar no mundo online (e offline), design e designers que me representem racialmente. Uma citação referida no artigo de Antionette Carroll[4], em 2014 — Diversity & Inclusion in Design: Why do They Matter?:

“Interconnectedness in all its forms, including technology, multiculturalism and globalism, make diversity and inclusion more relevant than ever in design as well as all areas of business and culture.”

 

PALAVRAS-CHAVE:

Raça; Justiça Racial; Ciberespaço; Design; Sistemas; Internet; Representatividade; Representação Digital; Sub-representação; Diversidade; Inclusão Social; Igualdade; Participação Digital; Consciência.

 

NOTAS:

[1] Auditório como em: núcleo.
[2] Jenkins, Henry. The Provost Professor of Communication, Journalism, Cinematic Arts and Education at the University of Southern California.
[3] M.I.T. — Massachusetts Institute of Technology
[4] Carroll, Antionette. Social Entrepreneur, Equity Designer, International Speaker and Educator; Diversity, Equity, and Inclusion Specialist.

Think What Design Can Be Other Then What It Is.

INCLUSIVE DESIGN

— AN EMANCIPATION ON THE CONSTRAINS PLACED BY RACE

 

O design deve abranger abertamente os praticantes mais diversificados e retê-los através da inclusão. Uma mudança no Design que conhecemos hoje em dia é necessário. Recordo o título do livro de Robert H. Waterman Jr.[1] Adhocracy: The Power to Change[2]. Embora o termo não tenha começado com a disciplina de Design — a adhocracia — é de meu interesse como licenciada na área e estudante da mesma abordá-los de encontro ao mesmo.  A adhocracia “une indivíduos e corporações, exércitos e artistas, designers e fabricantes, adolescentes e filósofos. Isso definitivamente traz consigo um novo conjunto de instrumentos, artefactos, costumes e até mesmo uma nova estética, mas as transformações mais significativas estão apenas a começar: a luta para definir novas estruturas de poder, novas estruturas económicas, novas formas de autoridade, novas modalidades de ser político – uma anatomia social inteiramente nova, noutras palavras – está a desdobrar-se diante de nós neste exato momento.” (Joseph Grima[3], 2012)
Apesar de haver um grande manifesto acerca do tema á volta de formas de inclusão para um corpo social mais participativo de todas as perspectivas que o formam, com o intuito de criar diversidade de pensamento e por conseguinte, uma maior variedade de resultados.
Como designers é nosso dever manter a persistência de diversidade através de representatividade na criação das mais diversas perspectivas que espelhem a sociedade em que vivemos. Devemos procurar cultivar muitas maneiras diferentes de pensar, ser e projetar, derivadas de diferentes artifícios e visões de mundo, visando atender a muitas necessidades e desejos diferentes.

“Uncover an equally wide array of possible design approaches and solutions.”

Maurice Cherry[4]

O constante questionamento é essencial. A adhocracia procura interrogar, problematizar e interpretar uma multidão rizomática de ideias, objetos e fenómenos. “Os seus conteúdos são amplamente retirados da vida quotidiana, do ar que já respiramos como cidadãos do século XXI.” (Joseph Grima, 2012)
Como designers, se imaginarmos a ampla gama de valores possíveis, podemos descobrir um conjunto igualmente amplo de possíveis abordagens e soluções de design que possam se manifestar e apoiar outras formas de pensar e ser. E há uma grande necessidade de representação racial ainda muito notável. Uma urgência de uma comunidade mais abrangente, diversa, inclusiva de forma a gerarmos uma sociedade em torno de uma justiça social.

“When you begin to ask those questions of what it means as a designer to be a culture maker, you ask harder questions about what kind of culture you’re creating.”

A história da relação entre Negro-Causcasiano chegou a pontos extremistas, quando um se superioriza para com o outro e exige e evidência um conjunto de normas sociais a serem seguidas com solitude. Gera-se uma atitude depreciativa e discriminatória não baseada em critérios científicos em relação a este grupo social (compreendemos então a existência de racismo). Devido a uma história longa de separação racial, o vestígio (que se depara nos dias de hoje) desta relação se mantém na memória e o distanciamento desta realidade torna-se árdua.
O isolamento entre sociedades de raça negra e raça branca (caucasiana) criou uma distância de interesses notável.
Se estas duas identidades não partilham os seus interesses a modo de os tornarem comuns entre si, o auditório permanece o mesmo e cresce dentro do mesmo núcleo, e este ressoa dentro de um grupo que expressará a intenção de continuidade destes mesmos comportamentos como algo natural ou originário do ser humano.

É imprescindível que, diante dos argumentos expostos, todos se conscientizem de que a relação entre o Negro e o Caucasiano seja um tema ainda controverso pelo simples facto de não ter seguido uma linha de tempo parcial para um desenvolvimento análogo ao comportamento social geral, que as restrições impostas ao longo dos tempos provocou um retrocesso naquele que poderia ter sido um triunfo na carência de racismo. Este é um tema a ser pronunciado, não só, por parte do indivíduo que sente inferioridade no resultado dessa codificação comportamental[5], mas pelo indivíduo que se superioriza para com este: deve ser abordado como um assunto de compromisso e consideração social, de forma a progredir e massificar todos os pontos de uma sociedade civilizada.

Reconhecer estes problemas é já um processo, e um progresso para a aproximação de um futuro desejado. Este post não apresenta a receita pronta para a mudança, mas sim vulgarizar, difundir e consciencializar sociedades com a familiarização do tema.

 

 

Notas:

[1] Waterman Jr., Robert. Non-fiction author and expert on business management practices, best known as the co-author (with Tom Peters) of In Search of Excellence.
[2] Waterman Jr., Robert (1990). Adhocracy: The Power to Change. Knoxville, TN: Whittle Direct Books
[3] Autor da citação: Grima, Joseph. British architect, critic, curator and editor. Creative director of Design Academy Eindhoven and co-founder of the design research studio, Space Caviar
[4] Cherry, Maurice. Designer, podcaster and pioneering digital creator in Atlanta, GA. (Currently) head of media at Glitch.
[5] Argumento: Elias, Norbert. (1994). O Processo Civilizador. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Editor Ltda.

 

 

Palavras-chave:

Representação; Inclusão; Justiça social; Diversidade; Adhocracia;
Design a site like this with WordPress.com
Iniciar