O Design Especulativo — Speculative Design — tem como ideia de que o design deve ser funcional e não apenas de caracter estético — é defensor do restabelecimento à raiz do funcional, da ideia e do investimento por detrás dela.
Para que o “objecto” funcione futuramente, exactamente da maneira como desejamos, terá antes de passar por uma prática projectual onde a narrativa e a retórica são primordiais.
No livro “Speculative Everything” escrito por Anthony Dunne[1] e Fiona Raby[2] em 1998 — onde se dá o primeiro uso do termo “Speculative Design” introduzido pelos autores — é nos dada uma nova forma de olhar o design e do papel enquanto designer sublinhando a afirmação anterior — o design deve ser usado como uma ferramenta que cria não só “coisas” mas também “ideias”, de forma a especular futuros possíveis.
Muitas vezes o “objecto” só se concretiza devido ao investimento feito na investigação. A suposição e a teoria têm um papel imperativo nesta matéria quase como se o resultado perde-se imponência.
“Haja uma prática de design na qual a hipótese — a proposta — tenha maior estima do que necessidade e justificativa.”
— Daniel Van der Velden[3]
A metodologia projectual que Bruno Munari[4] defende é, de certa forma, aliada a esta ideia de que a interrogação ao objecto seja pertinente, confirmando a teoria de Daniel Van der Velden (explícito na citação anterior). O processo criativo que Munari utiliza no seu livro — Das Coisas Nascem Coisas — expõe a importância do processo em si – defende que o problema deve ser dividido, explorado e reflectido sobre todas as suas vertentes até chegar à solução. Podemos assim prever que a questão tem um papel mais significativo que a resposta.
“Em vez de dar as respostas erradas, o design deve começar a fazer perguntas interessantes.”
— Daniel Van der Velden
É portanto no processo que nos aproximamos a um futuro desejado, embora esta afirmação nos pareça contraditória face à fama e ao método corrente de que os Designers são “vítimas” e por conseguinte vistos da mesma forma pela sociedade: solucionadores de problemas.
Possivelmente, o método do Design Especulativo já foi usado anteriormente.
Na criação da gillette (por ex.) um olhar sensivelmente futurista do seu criador, King C. Gillette[5], pela maneira como explorou a navalha, objecto utilizado, em tempos, para o exercício de barbear, um objecto não seguro e trabalhoso (pelo facto de ter de ser afiada frequentemente) para obter algo futuramente mais eficaz, assim como a sua “exploração” ao longo dos tempos (redesign), até chegar-mos ao produto que temos nos dias de hoje — futuro desejado — embora tenha sido através da implementação do termo, por Dunne e Raby, que se começa uma conversão radical.
“O verdadeiro investimento é o investimento no próprio Design, como uma disciplina que realiza pesquisa e gera conhecimentos”
— Daniel Van der Valden
Alvin Toffler[6] faz uma afirmação, de certa forma, da teoria do Design Especulativo — confirmado no livro “The Third Wave” — onde Toffler explica o seu método de trabalho, a sua forma como obtém uma hipótese viável e testada. Toffler adquire e explora a informação em todos os tipos de fontes (desde livros, jornais, reportagens, até entrevistas – entre outros – em diversas partes do mundo).
O Designer não está agora só associado aos “Arts and Crafts”, está também associado à ciência – referindo-se a qualquer matéria do saber, do conhecimento.
O Design Especulativo não tem a receita pronta para a mudança. Ele baseia-se na curiosidade. Este sugere uma hipótese baseada na informação pelo debate ponderado sobre a sociedade e a política, e não com medidas emergência.
O papel do designer está em perigo. Designers estão cada vez mais ameaçados de se tornar o proletariado da indústria criativa, silenciosamente executando o que o cliente ditar. (…) O designer deve lançar-se completamente na sua produção pessoal e independente de conhecimento. Hoje, se há algo que precisa ser projetado, é o próprio designer.
— Daniel Van der Valden
Bibliografia:
Processo Criativo usado no livro “Das Coisas Nascem Coisas”
Speculative Design em “Desenhar um futuro”
Speculative Everything by Anthony Duane and Fiona Raby
Notas:
[1] Dunne, Anthony. University Professor of Design and Social Inquiry and a Fellow of the Graduate Institute for Design Ethnography and Social Thought at The New School in New York..
[2] Raby, Fiona. University Professor of Design and Social Inquiry and a Fellow of the Graduate Institute for Design Ethnography and Social Thought at The New School in New York.
[3] Van der Velden, Daniel. Researcher and designer currently working on the Metahaven Sealand Identity project.
[4] Munari, Bruno. (Was) Italian artist, designer and inventor who contributed fundamentals to many fields of visual arts in modernism, futurism, and concrete art and in non visual arts (with his research on games, didactic method, movement, tactile learning, kinesthetic learning and creativity.)
[5] C. Gillette, King. (Was) American businessman (inventing a best selling version of the safety razor).
[6] Toffler, Alvin. American writer, futurist, and businessman known for his works discussing modern technologies
Palavras-chave:
Design Especulativo; Funcional; Possibilidade; Questões; Conhecimento; Curiosidade.