Universos paralelos do design

Novas visões criam novos universos. É notável a importância do design crítico como disciplina. Tanto na teoria, como na prática, observarmos uma constante evolução na produção de artefatos como alternativas que refletem ideologias e valores que questionam o status quo, estabelecendo rotas não usuais para se encontrar possíveis respostas para questões emergentes. Entretanto, embora a prática do design como crítica esteja consolidada, seja nas exposições de Dunne & Raby ou até nas novas abordagens de Inteligência Artificial concebida por Philip Agre, o desafio que se apresenta é como fazer com que todas as reflexões geradas pela disciplina possam se converter em ações mais amplas, ou como propõe Simon Bowen, “como uma reflexão crítica pode ser instrumentalizada nos processos atuais de design para que melhores respostas possam ser encontradas”.

Seguindo a ideia de Francisco Laranjo, é oportuno investigar sobre como construir pontes sólidas que conectem a produção crítica atual com um debate político efetivo, que transfira a aura glamourizada da prática já institucionalizada em museus, galerias e revistas segmentadas para territórios onde exista um engajamento social mais amplo e visível. É nesse contexto que o papel do designer vendo sendo desafiado. Num cenário de uma evolução tecnológica sem precedentes na história, que abala consideravelmente estruturas sociais, culturais e políticas, é imperativo que o designer seja cada vez mais um ativista, que possa constantemente hackear a própria disciplina do design crítico, encontrando os meios de escapar de universos paralelos para se aventurar em realidades mais latentes.

_ Fabio De Almeida.

 

Palavras-chave; design crítico, política, engajamento social, tecnologia, ativismo.

Notas:

[1] “My research is also concerned with artefacts that afford critical reflection. However I am interested in how this critical reflection can be used more instrumentally within the design process. How can it be used to produce “better answers?” Bowen, S.J. (2007). Tradução livre e editada.

 

Bibliografia:

[1] Laranjo, Francisco. “Critical Everything”. In Modes of Criticism 1 – Critical, Uncritical, Post-critical. Porto: 2015. Disponível em: https://www.grafik.net/category/feature/critical-everything

[2] Bowen, S.J. (2007). Beyond “Uncritical” Design” position paper for Sint-Lucas Research Training Sessions 2007. Hogeschool voor Wetenschap & Kunst Sint-Lucas, Brussels 14-16 June 2007.

 

Imagem: UMK: LIVES AND LANDSCAPES, 2014. Dunne & Raby. 

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