Over and Over: The effects of massification in Design Culture

subtítulo: A imersão do Design no domínio comercial e a sua posição na sociedade atual

Resumo:

O tema explorado durante este artigo foca-se na análise da integração do design no domínio económico. Esta análise tem como objetivo a observação da evolução da mentalidade do consumidor e do designer face às alterações sentidas no domínio cultural. A conclusão que foi possível retirar desta apreciação tem como base a necessidade da imposição de princípios definidos pelo design crítico ao design generalizado de modo a que seja possível contrariar a apropriação do design pelas indústrias comerciais que têm como objetivos principais o lucro e a massificação da produção através de estratégias de design.

Palavras-chave: massificação; indústria; design; consumismo.

Artigo Completo

-Maria Fraga

Over and Over: the effects of massification in Design Culture

Image: Coca Cola Ad (2018) “The story of one Friendship”

Src: https://vimeo.com/256214500

 

“(…) design, by producing desirable commodities, serves a culture of consumption and thereby maintains a society of passive consumers;”

Dunne & Raby (2001), in Bowen, S.J. (2007). Beyond “Uncritical” Design”

 

“Depois da arte-para-os-deuses, da arte-para-os-príncipes e da arte-pela arte,

triunfa agora a arte-para-o-mercado.”

Lipovetsky, Gilles (2013) A estetização do mundo: viver no capitalismo artista

 

A evolução do design trouxe uma nova compreensão dos aspetos básicos da comunicação e interação entre membros da sociedade. Através da análise dos comportamentos associados à mentalidade prevalecente da época, o design expandiu-se até ao ponto de estar inserido nos maiores domínios da sociedade atual.

Contudo, é de realçar as consequências associadas à total imersão por parte deste domínio cultural no meio comercial.

Ao analisar as posições definidas por autores de diferentes épocas e âmbitos profissionais tais como Theodor Adorno, Gilles Lipovestsy e Dunne & Raby, é possível acompanhar a progressiva fusão entre o domínio cultural e o económico e quais os impactos sentidos na produção e compreensão do design atual.

 

– Maria Fraga

 

Referências:

ADORNO, Theodor (2003) Sobre a Indústria da Cultura, Coimbra: Angelus Novus;

LIPOVESTKY, Gilles; SERROY, Jean (2013) A estetização do mundo: Viver na era do capitalismo artista, França: Éditions Gallimard

BOWEN, S.J. (2007). Beyond “Uncritical” Design” position paper for Sint-Lucas Research Training Sessions 2007. Hogeschool voor Wetenschap & Kunst Sint-Lucas, Brussels 14-16 June 2007.

DUNNE, Anthony and RABY, Fiona (2001). Design noir: The secret life of electronic objects. 1st ed., Basel; Boston; Berlin, Birkhäuser.

CALHOUN, Craig (1995). Critical social theory : Culture, history and the challenge of difference. 1st ed., Blackwell.

 

 

 

Manifesto

 

Maria Fraga & Nádia Ferrer

 

Existência — Exprime o objecto “absoluto”, o que já se encontra “escrito” no espaço temporal. Esta não necessita da presença da “Utopia” para ser compreendida, no entanto, o seu constante aperfeiçoamento provém da admirável vontade de se transformar.

Utopia — Esta palavra é extremamente essencial para a palavra “Existência” se exprimir no seu conceito mais puro: o que é ‘palpável’, não tirando a importância à palavra — utopia — que expressa a vontade de trazer esse “objecto” dito de ilusório para o espaço contemporâneo.

Critical of What?

Palavras chave: Audiência; Crítica; Capitalismo; Consumismo; Design; Produção.

Face a um design generalizado, extinto de crítica conceptual, somos capazes de criar uma imagem de um futuro no qual o design crítico não terá papel. Contudo, é através do levantamento desta problemática que é possível de criar uma ligação entre a evolução do design e o papel da crítica na mesma, através de uma questão: Critical of What?

Com a sua natureza enraizada na percepção da realidade de um modo crítico e materializado através da utilização do design como meio de expressão, o design crítico nasce como uma vertente do design capaz de criar um objeto alvo de contemplação e expressivo de uma noção da realidade que faz a audiência questionar o seu propósito.

“(About Critical Design) There’s the official Design that you get from the industry, and then you can offer an alternative for a Design that has a different way of seeing the world, and setting up some kind of tension or conversation.” [1]

Dunne & Raby apresentam-se como a dupla originária de manifestações artísticas capazes de expressar as noções da realidade atual que se mantém obscuras, materializando-as como propostas de design crítico.

Considerando a noção da praticidade associada ao design, Dunne & Raby observam as possibilidades projetuais que provém do processo criativo. Contrariamente ao que é estabelecido pelo processo convencional de produção, o objetivo do projeto não é a obtenção de uma única solução capaz de resolver um problema, mas sim explorar todas as possibilidades que surgem dessa questão.

Com o design atual, a questão é outra.

Com uma ideologia fixada na utilidade da produção e na criação de uma ligação emocional da audiência ao objeto, a crise (crítica) atual do design está limitada aos interesses económicos que estão associados à sua produção. Com a fusão do domínio económico com o domínio criativo, esta mentalidade que remota à época modernista (na qual a produção em massa era exemplar)  transmite uma ideia de crítica que transcende a realidade, tornando-se limitada à realidade consumista.

A posição do design crítico na atualidade (e no futuro) é salvaguardar a existência de um design baseado em ideais opostos aos generalizados, construindo uma vertente que emancipa a audiência da mentalidade consumista.

Maria Fraga

Notas

[1] DUNNE, Tony (2016) in Gidest (Tony Dunne & Fiona Raby – Critical Design)

Referências

DUNNE, Tony; RABY, Fiona (2016) Tony Dunne & Fiona Raby – Critical Design, Source: Gidest

LIPOVESTKY, Gilles; SERROY, Jean (2013) A estetização do mundo: Viver na era do capitalismo artist, Portugal: Companhia das Letras

LIPOVESTKY, Gilles (2015) L’Oréal, “Artistic capitalism”? (GIlles Lipovetsky) – Philosophy of Beauty, Source: L’Oréal

LIPOVESTKY, Gilles (2015) “How “”artistic capitalism”” enrich our daily life with beauty?” (Gilles Lipovetsky), Source: L’Oréal

 

The Modern(ist) Way

Palavras chave: Modernismo; Design; Comercial; Social; Consumismo; Burocracia; Adohcracia;

“The bureaucrat, like the modernist city, is a product of strategy.” – Joseph Grima, Adhocracy

A imagem de um futuro industrial no qual a produção em massa é mais valorizada do que a originalidade e a inovação sofreu várias mutações consoante a evolução das épocas. Hoje, podemos compreender que a a produção industrial em grande escala não pode ser equiparada à produção em menor quantidade, tipicamente derivada de um ambiente no qual é privilegiado tanto a estética como a função do objeto.

Considerando o estado da mentalidade atual, é previsível a visão da condição atual como uma revolução sem antecessores. No entanto, é possível constatar que ao longo da história existe a constante repetição de acontecimentos caracterizados por ações motivadas pela necessidade de contrariar as burocracias estabelecidas.

“Design, more often than not, is the process of questioning, undermining, rethinking the expected responses to these queries.” [1]

O modernismo é característico de uma época na qual a conveniência e o conforto eram sinónimos de produção industrial em massa. Contudo, é possível conectar a necessidade da produção em escala com os interesses económicos das entidades produtoras. Seguindo os métodos de construção mais eficientes e de menor custo, a produção derivada desta época é caracterizada pela sua falta de diversidade, estagnada num formato geométrico (simples de replicar) e distribuído em grande escala.

 “(…) there is an alignment between the interests of the market, driven by the impulse towards ever-expanding cycles of consumption, and the interests of bureaucracy, motivated by the perpetuation of its own power and hegemony.” [2]

Deste modo, é criada uma “revolta” face à construção de ideais de produção baseados no conformismo, na generalização da forma e nos interesses económicos. Yona Friedman destaca-se como o membros da Team X que criou o conceito de uma cidade elevada, denominada Ville Spatiale (fig.1), que tinha como propósito a construção de habitações e edifícios que pudessem ser conceptualizados de modo livre (self-planning) e expressivo da identidade do seu autor e população.

Considerando a condição marcante da época modernista e a situação atual, é possível valorizar o impacto da adhocracia na criação de inovação cultural e na revolução artística. Contudo, poderemos considerar que através da adhocracia o futuro ficará emancipado do poder económico? Será a adhocracia a chave para a libertação do da cultura, e consequentemente, do design?

Maria Fraga

Notas

[1] GRIMA, Joseph (2012) Adhocracy

[2] Giancarlo de Carlo quoted by GRIMA, Joseph (2012) Adhocracy

 

Referências

GRIMA, Joseph (2012) Adhocracy

LIPOVESTKY, Gilles; SERROY, Jean (2013) A estetização do mundo: Viver na era do capitalismo artista

 

Figuras

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fig. 1 – Ville Spatiale

O domínio das tecnologias

Tendo como exemplo a situação de pressão caracterizada pelo domínio por parte do estado Chinês do comportamento da sua população, o autor do artigo realça a relação existente entre o meio tecnológico e os domínios económicos.

Através do mapeamento da evolução desta relação e destacando os pontos de ligação existentes entre estas duas potências, o autor demonstra a atual contaminação do meio tecnológico, caracterizada por interesses económicos e prestações de serviços em prol da divulgação de informação.

A posição do consumidor torna-se deste modo um “combate” contra as tecnologias dominantes, entrando num estado de conflito entre o que reconhecia como confiável e o receio de se encaminhar numa rota sem retorno.

Maria Fraga

Comentário ao artigo “Todos somos dados”, da autoria de David Samuel no Seminário Expresso.

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