Palavras chave: Modernismo; Design; Comercial; Social; Consumismo; Burocracia; Adohcracia;
“The bureaucrat, like the modernist city, is a product of strategy.” – Joseph Grima, Adhocracy
A imagem de um futuro industrial no qual a produção em massa é mais valorizada do que a originalidade e a inovação sofreu várias mutações consoante a evolução das épocas. Hoje, podemos compreender que a a produção industrial em grande escala não pode ser equiparada à produção em menor quantidade, tipicamente derivada de um ambiente no qual é privilegiado tanto a estética como a função do objeto.
Considerando o estado da mentalidade atual, é previsível a visão da condição atual como uma revolução sem antecessores. No entanto, é possível constatar que ao longo da história existe a constante repetição de acontecimentos caracterizados por ações motivadas pela necessidade de contrariar as burocracias estabelecidas.
“Design, more often than not, is the process of questioning, undermining, rethinking the expected responses to these queries.” [1]
O modernismo é característico de uma época na qual a conveniência e o conforto eram sinónimos de produção industrial em massa. Contudo, é possível conectar a necessidade da produção em escala com os interesses económicos das entidades produtoras. Seguindo os métodos de construção mais eficientes e de menor custo, a produção derivada desta época é caracterizada pela sua falta de diversidade, estagnada num formato geométrico (simples de replicar) e distribuído em grande escala.
“(…) there is an alignment between the interests of the market, driven by the impulse towards ever-expanding cycles of consumption, and the interests of bureaucracy, motivated by the perpetuation of its own power and hegemony.” [2]
Deste modo, é criada uma “revolta” face à construção de ideais de produção baseados no conformismo, na generalização da forma e nos interesses económicos. Yona Friedman destaca-se como o membros da “Team X“ que criou o conceito de uma cidade elevada, denominada Ville Spatiale (fig.1), que tinha como propósito a construção de habitações e edifícios que pudessem ser conceptualizados de modo livre (self-planning) e expressivo da identidade do seu autor e população.
Considerando a condição marcante da época modernista e a situação atual, é possível valorizar o impacto da adhocracia na criação de inovação cultural e na revolução artística. Contudo, poderemos considerar que através da adhocracia o futuro ficará emancipado do poder económico? Será a adhocracia a chave para a libertação do da cultura, e consequentemente, do design?
Maria Fraga
Notas
[1] GRIMA, Joseph (2012) Adhocracy
[2] Giancarlo de Carlo quoted by GRIMA, Joseph (2012) Adhocracy
Referências
GRIMA, Joseph (2012) Adhocracy
LIPOVESTKY, Gilles; SERROY, Jean (2013) A estetização do mundo: Viver na era do capitalismo artista
Figuras

fig. 1 – Ville Spatiale