Redesigning Design

O design como até agora era definido, está a sofrer uma mudança crítica. Com o emergir das “novas tecnologias” e a automatização, o design associado à produção de um objeto físico, a uma prática de artesão, está a desviar-se para novas definições. O design está a emergir como uma disciplina autónoma, capaz de incitar investigação e gerar conhecimento [1]. Designers têm os meios para ponderar e intelectualizar sobre a sua prática, produzir conhecimento sobre si enquanto criadores e sobre a disciplina. O design pode ser utilizado como ferramenta para construir uma forma excepcional de crítica [2].

Anthony Dunne e Fiona Raby popularizam o termo critical design. O design crítico, consiste na autorreflexão do designer através da crítica da sua própria arte. Mas implica estar igualmente ciente do contexto social, político e cultural da sociedade, criticá-lo, pensá-lo e agir sobre ele. Mazé [2] explica que designers, pessoas ativas, não se preocupam apenas consigo próprios, com os seus pares e colaboradores, mas envolvem-se com questões fora do design. Designers têm uma voz, têm um meio, uma plataforma para começar a conversa sobre conceitos teóricos e para pôr em prática termos ideológicos.

O grupo Metahaven, um estúdio de design fundado por Daniel van der Velden e Vinca Kruk, adere ao conceito de design crítico e opera com base em alguns dos seus princípios. Nas palavras de Velden, entrevistado por William Drenttel, o design serve “como uma ferramenta para questionar, para investigar, para antecipar. Assim como, uma ferramenta para imaginar.” Este estúdio baseia o seu trabalho nestes princípios, procurando colaborar com outros designers e investigadores dependendo do projeto que desenvolvem. O seu trabalho varia entre comissões de clientes, sejam publicações ou identidades; trabalho de investigação, que podem ser experienciados online, em exposição ou em publicações impressas; em ensaios, instalações, estratégias de comunicação, entrevistas, palestras e conferências. Em variados meios que comuniquem o projeto e o seu objetivo.

Menciono Metahaven como exemplo de um grupo que está ativamente a redesenhar o design, a pensar no seu futuro, não subscrevem à ideia de um design que não contesta as ideologias predominantes ou que se conforma com as expectativas culturais, sociais e técnicas [4], pretendem ser disruptivos e vocais sobre assuntos que estão estabelecidos nos sistemas da sociedade.

A partir do design research – que Velden descreve como a investigação através da prática do design, ou investigação que contribua para o design como disciplina [3] – os Metahaven produzem conhecimento que enriquece e autonomiza o design enquanto disciplina académica, desenvolvendo ideais e sistemas de design que se adaptam a um futuro incerto. Desenvolvem o conceito de speculative design e formulam um método de trabalho. Encontram questões que pretendem tratar a partir do que chamam “sinais fracos”, falhas na realidade com potencial para subverter o sistema, a partir do qual trabalho crítico pode ser desenvolvido. Metahaven defendem a necessidade da utilização da imaginação, em considerar um momento fictício ou de fantasia no processo do design, chamam à atenção para a necessidade imperativa de trabalhar com o absurdo, de dar importância à ideia, de imaginar o futuro. Deixando de lado a tendência atual para um design de participação cívica politicamente correta, de agir perante uma emergência. O design especulativo analisa o que poderá ser uma emergência no futuro e age sobre o problema antecipadamente. [1]

The Sprawl, um projeto desenvolvido por Metahaven em 2016, ilustra exatamente o espírito do design crítico. O objetivo é expôr um assunto, investigando-o e criticando-o. Velden acredita que o design é sobre o mundo, sobre outras pessoas, outras coisas, ligadas através do designer, o designer é o filtro. O design é um meio. O design está diretamente ligado com a política. O design está no ato e não na execução, todo o processo do projeto é relevante. Não é apenas reacionário, mas proativo.

Ana Serra

PALAVRAS-CHAVE: Design Crítico, Design Especulativo, Metahaven.

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[1] Velden, D. v. d. (2006). Research & Destroy: Graphic Design as Investigation. Metropolis M, (2).

[2] Mazé, R. (2009). Critical of What. In M. Ericson, M. Frostner, Z. Kyes, S. Teleman & J. Williamsson (Eds.), Iaspis Forum on Design and Critical Practice – The reader (pp. 389-408). Berlin: Sternberg Press, Iaspis.

[3] Drenttel, W. (2010). A Conversation with Daniel van der Velden of Metahaven. DesignObserver [Em linha]. Disponível em: https://designobserver.com/feature/a-conversation-with-daniel-van-der-velden-of-metahaven/23688 [Consult. 3 de Março 2019]

[4] Bowen, S.J. (2007). Beyond “Uncritical” Design position paper for Sint-Lucas Research Training Sessions 2007. Hogeschool voor Wetenschap & Kunst Sint-Lucas, Brussels 14-16 June 2007.

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