A linguagem dos zeros e uns

O texto que se segue visa comentar o artigo “Todos somos dados”, da autoria de David Samuel, publicado no Semanário da Revista Expresso a 9 de Fevereiro de 2019.

Um mecanismo de inteligência artificial implementado na génese da organização de uma sociedade, que distinga perfeitamente o certo do errado e que omita da equação o erro do humano enviesado pela sua experiência pessoal faz querer que se instituiria num futuro utópico. Mas quando essa realidade é imposta aos cidadãos por parte do estado, como é o caso do relato com que se inicia o artigo, soa, por oposição, a uma realidade distópica.

Sendo que os aparelhos electrónicos que possuímos são cada vez mais omnipresentes, produzimos constantemente dados acerca das nossas vidas, ou por outra, os mais variados aspectos das nossas vidas são registados como 0 e 1 e capitalizados pelas empresas de big data. Se num futuro utópico os “monopólios de informação poderiam ser instrumentos poderosos para reajustar sociedades deformadas pelo racismo, o sexismo e a transfobia” [1], no presente distópico que, por enquanto, já se vive na República Popular da China esses monopólios conduzem o estado a classificar os actos dos seus cidadãos como “aprovadores” ou “desaprovadores”.

A partir do momento em que nos tornarmos indivíduos passíveis de serem reeducados à luz de uma imagem fabricada pelo estado então a democracia pode estar, de facto, em risco.

 – Ana Teresa Morais


[1] Samuels, D. (2019). Todos somos dados. Expresso. Disponível em: https://leitor.expresso.pt/semanario/SEMANARIO2415/html/revista-e/-e-1/Todos-somos-dados

Autor: Teresa Morais

Mestrado em Design de Comunicação e Novos Media // FBAUL

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