Hoje existe a crença de que o design tem à sua disposição dois poderes:
– o poder de elevar uma ideia;
– o poder de ele próprio ser a ideia.
As grandes corporações não ficaram indiferentes e tomaram nota desta faceta do design com a finalidade de aumentarem os seus lucros. Investir em design garante crescimento para estas empresas. Investir num interface bem desenhado simplifica o contacto com o público e melhora a experiência deste com as marcas, elevando a preferência dos consumidores. É certo que o design não acrescenta só valor, também o cria. Se o design é capaz de conceber produtos melhorados, mais funcionais, também conseguirá certamente aperfeiçoar o mundo. [1]
A Crítica e as Transformações
Paula Antonelli acredita que uma das funções mais importantes do design é impulsionar mudança e trabalha diretamente com tecnológicos e designers para chegar a esse fim. O rápido desenvolvimento de vários processos alternativos que levaram a um design multifacetado, é consequência da própria multidisciplinaridade do design. Ao longo do tempo, o design e as suas múltiplas faces têm-se tornado num meio de expressão de ideias, que trás questões provocatórias e de carácter social e político. [1]
Para chegar a um design mais político, social e que tenta aperfeiçoar o mundo, é preciso falar do termo “critical design”.
Dune & Raby explicam que o design crítico utiliza o design especulativo para desafiar suposições, preconceitos e dados sobre o papel que os produtos desempenham na vida quotidiana. É mais uma atitude do que qualquer outra coisa, uma posição em vez de um método, é simplesmente uma maneira útil de tornar o design mais visível e sujeita-o a discussão e debate. Serve para pensar e consciencializar. [4]
Ramia maze, no livro the reader (2009) sugere três formas de crítica no design. A primeira relaciona-se com a atitude crítica sobre a prática. Existe uma reflexão perante o que o designer faz e a razão pela qual o faz. A está ligada ao ensino, à criticidade dentro de uma comunidade de prática ou disciplina. Tenta mudar paradigmas e tradições. Terceiro, Os designers aproximam-se de problemas sociais e da sua discussão, a crítica tem como alvo o fenómeno social e político. [3]
Wodiczko autor do “Critical Vehicles” amplificou o seu trabalho com o Interogative Design Group em 1980, no MIT. Outros designers também contestaram a agenda política antes do termo ser cunhado, sempre aliando o design às belas-artes e às exposições museológicas. Assim Francisco Laranjo aborda a questão: Se as exposições são vistas por outros designers, não se gera um debate púbico, os designers acabam por definir e validar o seu próprio trabalho. Será que o design crítico pode agir desta maneira, ou será que é uma prática redutora que o impede de crescer e de chegar a novas resoluções? É preciso investigar, ser crítico para a disciplina amadurecer e refletir para com a finalidade de evoluir. [2]
Conclusão
“It’s time to publicly discuss the means, effects and especially the quality of the critical design projects, not just to celebrate and retweet them. If that doesn’t happen critical graphic design runs the risk of not being as substancial and meaningful as it could be. Or worse, it will become irrelevant to society. “[2]
Se o design pretende manter-se relevante face às mudanças tecnológicas, políticas, económicas e sociais, terá de continuar a usar os seus próprios processos e métodos de produção para contribuir para novos conhecimentos nas áreas onde trabalha, acrescentando valor. [2] Será crucial manter um discurso público que englobe outras disciplinas com ligações ao design.
O facto de as empresas apostarem no design para criarem valor torna a disciplina e o próprio designer cada vez mais poderosos, como defende Walker. Cada vez mais os designers também terão de ser multifacetados e multidisciplinares, o trabalho muitas vezes é levado a cabo num ambiente onde a funcionalidade e a engenharia se fundem. [1] Esta será uma boa hipótese para “salvar o mundo”, concentrar os esforços no presente tecnológico, no que é possível e necessário melhorar agora e olhar para estas relações multidisciplinares de uma forma crítica que permitirá o desenvolvimento do design noutras direções que ajudem a melhorar o nosso dia-a-dia, ou que apontem para questões políticas pertinentes. [1]
Mariana Ribeiro
[1] Walker, Rob. (2014). “A Golden Age for Design”. New York Time
[2] Laranjo, Francisco. “Critical Graphic Design: Critical of What?”
[3] Laranjo, Francisco. “Critical Everything”. In Modes of Criticism 1 – Critical, Uncritical, Post-critical. Porto: 2015.
[4] Anthony Dunne and Fiona Raby. “Critical Design FAQ”. Disponivel online em: http://www.dunneandraby.co.uk/content/bydandr/13/0