Big data, big techs e big brother.

Não há nada de novo sob o sol. Plataformas digitais fazem parte de nossas rotinas, e diariamente permitimos que nossos rastros digitais seja trocados por experiências que já não sabemos se conseguimos viver sem. Por outro lado, a aproximação dos governos com as gigantes da tecnologia colocam em cheque questões fundamentais sobre liberdade e controle. Até que ponto nossa submissão ao Big Brother seria uma realidade sustentável? O monopólio da informação estaria a serviço de um constante reajuste democrático das sociedades ou tudo figura apenas como a atualização da soberania dos interesses políticos e econômicos sob a humanidade?

Debates a parte, a história nos mostra que o bem geral, quando controlado e mediado por uma elite dominante, não nos oferece prognósticos de uma realidade mais livre e mais justa. Muito pelo contrário, no ritmo acelerado em que os algoritmos nos assistem, nos entendem e nos controlam, fica o desafio de saber como a humanidade despertará desse suposto sonho de um mundo ideal como uma resposta a equação de nossa existência.

Fabio De Almeida

Comentário ao artigo do Expresso “Somo todos Dados? Texto: David Samuels, WIRED. Fevereiro, 2019.

A linguagem dos zeros e uns

O texto que se segue visa comentar o artigo “Todos somos dados”, da autoria de David Samuel, publicado no Semanário da Revista Expresso a 9 de Fevereiro de 2019.

Um mecanismo de inteligência artificial implementado na génese da organização de uma sociedade, que distinga perfeitamente o certo do errado e que omita da equação o erro do humano enviesado pela sua experiência pessoal faz querer que se instituiria num futuro utópico. Mas quando essa realidade é imposta aos cidadãos por parte do estado, como é o caso do relato com que se inicia o artigo, soa, por oposição, a uma realidade distópica.

Sendo que os aparelhos electrónicos que possuímos são cada vez mais omnipresentes, produzimos constantemente dados acerca das nossas vidas, ou por outra, os mais variados aspectos das nossas vidas são registados como 0 e 1 e capitalizados pelas empresas de big data. Se num futuro utópico os “monopólios de informação poderiam ser instrumentos poderosos para reajustar sociedades deformadas pelo racismo, o sexismo e a transfobia” [1], no presente distópico que, por enquanto, já se vive na República Popular da China esses monopólios conduzem o estado a classificar os actos dos seus cidadãos como “aprovadores” ou “desaprovadores”.

A partir do momento em que nos tornarmos indivíduos passíveis de serem reeducados à luz de uma imagem fabricada pelo estado então a democracia pode estar, de facto, em risco.

 – Ana Teresa Morais


[1] Samuels, D. (2019). Todos somos dados. Expresso. Disponível em: https://leitor.expresso.pt/semanario/SEMANARIO2415/html/revista-e/-e-1/Todos-somos-dados

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