Sci-fi e design fiction sempre estão a olhar o futuro, mas o futuro não deveria parecer diferente? O que acontece quando o futuro se parece menos e menos como as previsões? Carros voadores? Robos automatizados? Teletransporte?
Algo é certo, o futuro é imprevisível. Mas, além do utópico, conseguiria o design especulativo prever um futuro próximo?
A realidade que nos encontramos, pode não estar nos maiores devaneios de ficção científica como teletransporte, porém muitos detalhes já estamos a viver, como carros autônomos. Após a era da internet, o grande crescimento tecnológico e o progresso que tivemos, fez com que muitas ficções científicas se tornassem hoje uma realidade. Seria todo design iniciado em ficção? Em conceito premeditado?
Olhando para o passado, dentre algumas análises, podemos ver
como storytellers e o design sobre a ficção alcançou rapidamente a ideia de sociedade futurística numa possibilidade de futuro próximo.
Alguns dos grandes exemplos que encontramos é, por exemplo, do filme Minority Report (2002), no qual explora intuitivamente a interface de toque, por meio de uma luva que controla a interface, hoje temos essa tecnologia e muito além, o touchscreen se encontra cada vez mais e mais presente em nosso cotidiano.
Em muitos filmes de ficção científica foi apresentado veículos que andam sozinhos e de modo totalmente independente de controle. Que aparece também em Minority Report, em O Vingador do Futuro (1990), Eu robô (2004) …. Essa é uma tecnologia que virou realidade. Cada dia mais e mais surgem projetos de carros autônomos espalhados pelo mundo, sendo projetos e empresas como Waymo (Google), Tesla Autopilot, Volvo 360c, Mercedes-Benz F 015 …
Hoje temos assistentes de voz como parte e presente do cotidiano, como Amazon Alexa, Siri (Apple)… Mas há algumas décadas atrás, essa ideia soava como um futuro fictício, como mostram em filmes como 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), no qual o sistema de inteligência artificial, HAL 9000, se mostra como um assistente de voz interativo. O personagem teve uma influência direta em como assistentes de vozes são criados nos dias de hoje.
E também de uma forma não tão previsível, a série especulativa de sci-fi sobre realidades e mundos paralelos produzido pela Netflix, Black Mirror (2011-), no qual fala em seu episódio chamado “Hated in the Nation”, no qual aborta o tópico de abelhas robóticas artificiais para substituírem o papel das abelhas diante do desequilíbrio ambiental. E essa tecnologia que também podemos ver hoje, as abelhas robóticas se chamam RoboBee e funcionam por um sistema de Flying Microrobots, que é similar à um micro drone, esse é um projeto de Harvard que ainda em fase de desenvolvimento, mas ja conseguem simular o voo das abelhas e responder à alguns comandos básicos.
Em meio a tanto sci-fi e especulações, podemos assim pensar na teoria de Anthony Dunne e Fiona Raby, que propõe que o design pode ser usado como uma ferramenta não apenas para criar ideias e objetos, mas sim sobre design especulativo, pensar sobre como isso poderia ser em um futuro possível. Em seu livro, Speculative Everything (2013), aprofundam em ideias, ideais e propóstas de cidades, desenhando um futuro possível e divagando sobre teorias que englobam a política, filosofia, tecnologia e o sci-fi. Dunne e Raby especulam sobre a teoria do “E se?”, no qual quanto mais re-imaginarmos sobre a realidade de tudo, mais essa realidade se torna maleável para um futuro próximo desejável, provável ou utópico.
Podemos, por tanto, hoje criar um novo mundo fictício com base no design fiction e especulativo nos perguntando “E se?”. E em torno dessa pergunta, criamos universos paralelos em volta de uma nova sociedade fictícia. E se, além da utopia, essas ideias se tornarem realidade? Pode então, o design fiction e o design especulativo, modelarem o futuro?
Palavras-chave: Design Fiction, Design Especulativo, Sci-fi, Sociedade Futurística
Dunne, Anthony; Fiona Raby (2013). Speculative Everything. Design Fiction and Social Dreaming. Cambridge: The MIT Press.
Fabien Girardin (2015). Our Approach of Design Fiction. Medium.

