Kafka was the first Adhocracer

 

¿Adhocracia?

À primeira vista, poderíamos pensar que estamos diante de outro termo abstrato, agenho para a maioria e (a priori) carente de significado.

Um neologismo cuja finalidade principal poderia ser chamar a atenção de um leitor indefeso e inquieto em busca de novos conceitos que o ajudem a entender sua existência insignificante. Ou o que é o mesmo, em busca de sua posição relativa dentro de um sistema de engrenagens perfeitamente articulado em que qualquer tentativa de fuga é impossível.

Em uma das definições que Grima [1] nos mostra em seu texto, é descrita da seguinte forma:

«A adhocracia é uma tentativa de tecer um fio crítico através
dessa multidão rizomática de ideias, objetos e fenómenos; procura
interrogá-los, problematizá-los e interpretá-los. Os seus conteúdos
são amplamente retirados da vida quotidiana, do ar que já respiramos
como cidadãos do século XXI.»

O conceito de Rizoma é recorrente e pode ser familiar quando pensamos no ensaio homônimo de G. Deleuze e F. Guatari [2]. Coincidentemente, nos parágrafos introdutórios deste texto, podemos ler o seguinte:

«Fomos criticados por invocar muito freqüentemente literatos. Mas a única questão, quando se escreve, é saber com que outra máquina a máquina literária pode estar ligada, e deve ser ligada, para funcionar. Kleist e uma louca máquina de guerra, Kafka e uma máquina burocrática inaudita…»

Kafka; a máquina burocrática. Em seu livro “O Processo” [3], o protagonista Joseph K. usa toda a sua energia vital para provar sua inocência diante de uma acusação desconhecida. Encontramos nessa história o análise lúcido e a compreensão milimétrica da dinâmica de um sistema burocrático que funciona como uma extensão de um ser humano estereotipado, padronizado e preso em um emaranhado de movimentos absurdos.

Robert H. Waterman Jr., em seu culto à eficiência corporativa, via a burocracia como inimiga do progresso e da inovação.

J. Grima nos conta que os coletivos de arquitetos e urbanistas após a Segunda Guerra Mundial, também encontraram nessa repetição tipológica a principal causa da padronização dos modelos arquitetônicos e consequentemente do estilo de vida.

Por outro lado, Kafka ofereceu uma imagem da burocracia como um repressor passivo, um inimigo da eficiência individual e da existência humana.

Se, como o texto afirma, nós entendemos a Adhocracia como qualquer forma de organização que cruze as linhas burocráticas para capturar oportunidades, resolver problemas e obter resultados, poderíamos dizer que Kafka conhecia esse lugar com perfeição.

Kafka foi o primeiro Adhocracer. Ele conhecia os cantos mais remotos do sistema e cada um de seus recantos. Ele sabia como se mover e deslizar sutilmente ao ritmo da uma dinâmica lenta e soporífera com o único propósito de sobreviver … se adaptar e sobreviver.

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[1] Grima, Joseph (2012). A Brief History of Adhocracy. In Adhocracy. Istanbul: IKSV.

[2] Delleuze, Gilles; Guattari, Félix. (1977).Introdução: Rizoma . Texto extraído de Mil Platôs (Capitalismo e Esquizofrenia) Vol. 1. Editora 34. Lisboa.

[3] Kafka, Franz. El Proceso. (1980) ISBN 84-7166-475. EDAF Ediciones y Distribuciones S.A. Madrid

 

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