Caracteres: 802 | Palavras: 130 | Linhas: 3
Nádia Ferrer | Mestrado em Design de Comunicação | ECD | Fevereiro de 2019
Estudos Contemporâneos em Design
Blog da UC de Estudos Contemporâneos em Design do Mestrado em Design de Comunicação da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa
Comentário ao artigo do Expresso — Todos somos dados.
Caracteres: 802 | Palavras: 130 | Linhas: 3
Nádia Ferrer | Mestrado em Design de Comunicação | ECD | Fevereiro de 2019
The threat of surveillance is one that we recognize, yet seem to ignore when it threatens us directly. Could this be, however, simply because we don’t understand its implications? We have blindly acted as agents of corruption. But is this by design? Big Tech and Big Government, though once estranged, now dine together at the likes of the Alfalfa Club. If this cosy relationship wasn’t problematic enough, these same wealthy private influencers are allowed to finance political campaigns, thereby purchasing sway over policy – policy which is supposed to protect its citizens’ interests, not those of profit-driven corporations. This collusion, though, is even more nefarious, because the trading unit is information – the most precious resource we own. With this unfettered access, corporations are – legally – allowed to aid in government sanctioned discrimination, abetting a kind of modern censorship.
But what if these companies go against their own interests and actually act as a force for good? “What if Google helped the CIA develop a system that helped filter out fake news, say, or a new Facebook algorithm helped the FBI identify potential school shooters before they massacred their classmates?” Well, that would place Google as an arbiter of truth and Facebook as arbiter of justice. Even if thinking machines could be taught to filter out hate speech and falsehoods, that would firmly place them as the purveyors of truth and moral righteousness.
Personally do not subscribe to the notion that machines can think independently. Even AIs. They can learn and develop, yes, but their thought process and logic will always be dependent upon the parameters fed to them by the programmer. But even if we do embrace a “social order monitored and regulated by machines that have been programmed to be free of human prejudice” as a way of attaining a “good society”, this becomes dangerously dependent upon their definition of “good”, as better often does not mean better for all.
Comentário ao artigo “Is Big Tech Merging With Big Brother? Kinda Looks Like It”, de David Samuels, publicado na revista WIRED. Janeiro de 2019
Já não é novidade que empresas compartilham dados sensíveis de usuários com terceiros, a fim da comercialização de dados da publicidade, assim como para fins governamentais de segurança. E para quais fins nossos dados são comercializados?
São questionamentos sobre a nossa privacidade que abrimos sobre à crítica ao Big Brother, segundo o artigo “Todos Somos Dados” publicado no Expresso, escrito por David Samuels, onde vemos que o Estado não se envolve apenas em um jogo comercial sobre a tecnologia, mas em um jogo que pode ferir a democracia e a segurança pública.
Um dado interessante, segundo a revista Época, é que o governo brasileiro pede o acesso de aproximadamente 600 dados de celulars iOS da Apple a cada semestre, em média 2.324 identificadores envolvidos, e mesmo com todo relatório de transparência e proteção ao usuário que a empresa americana tem, cerca de 85% das solitações são atendidos. Mas e os nossos termos de privacidade, aonde ficam?!
Vemos cada dia mais, nós usuários e compartilhadores de dados, inseridos num jogo capitalista em que nós mesmos criamos, sobre o nosso sistema, contra nós mesmo a teia onde a tecnologia constrói seu reinado sobre os nossos próprios dados, com os nosso concentimento, dia mais dia. Ou seria sem nossos concentimentos?!
Comentário ao artigo do Expresso “Somo todos Dados? Texto: David Samuels, Expresso. Fevereiro, 2019.
Os data breaches que recentemente expuseram os dados pessoais de milhões de indivíduos – nomeadamente os casos envolvendo a Cambridge Analytica e a rede Marriott – foram suficientes para aumentar nossa preocupação com privacidade, mas não para gerar mudanças efetivas na forma como nos comportamos on-line. Isso acontece, em parte, porque tais vazamentos raramente são acompanhados de consequências diretas, capazes de afetar nossa vida quotidiana.
Mantivemos nossas contas no Facebook em funcionamento mesmo depois de sabermos que a empresa havia sido implicada em investigações acerca da interferência estrangeira nas últimas eleições presidenciais norte-americanas. Nessa mesma direção, acredita-se que companhias como a Cambridge Analytica tenham “minado” informações privadas de milhões de perfis como parte de um projeto amplo, que colaborou com a implementação de agendas conservadoras em governos do mundo todo.
Apesar do fato de muitos, incluindo Mark Zuckerberg, o CEO do Facebook, demonstrarem suas preocupações com a privacidade cobrindo as câmeras embutidas em seus laptops com um pedaço de fita, está cada vez mais claro que nossos dispositivos eletrônicos também estão nos “ouvindo”. Conversar com um amigo sobre a intenção de fazer um mestrado, certamente fará com que nossas mídias sociais sejam inundadas com anúncios universitários.
David Samuels, em seu artigo “Is Big Tech Merging with Big Brother? Kinda Looks Like It”, aponta para o fato de que a recolha de dados por parte das gigantes do Vale do Silício, antes associada a simples estratégias de marketing, parece, agora, ter se transformado em uma potente ferramenta de vigilância e manipulação, capaz de gerar impactos muito reais em nossa sociedade.
Caio Guedes
Comentário ao artigo do Expresso “Somo todos Dados? Texto: David Samuels, WIRED. Fevereiro, 2019.
O artigo “Todos Somos Dados” publicado no Expresso, originalmente escrito por David Samuels, discute a utilização de dados recolhidos de utilizadores por aqueles no poder.
O mercado à volta do tratamento de dados pessoais recolhidos através das “novas tecnologias” está em grande desenvolvimento. As empresas privadas deste ramo têm cada vez mais poder na sociedade devido ao interesse por parte dos governos. O Estado beneficia do conhecimento de dados privados dos seus cidadãos, ajuda na vigilância e no controlo da sociedade, mas põe em causa a democracia. O artigo menciona a tendência para o aumento da integração da inteligência artificial neste negócio, dando cada vez mais controlo da “máquina” sobre nós.
São questionadas as diferenças entre o controlo de humanos feito por humanos e feito por máquinas. Será o futuro da sociedade o controlo através de máquinas automatizadas? Estarão estas máquinas programadas com ideais humanos e se sim, quais ideais são considerados os certos? Ou estarão as máquinas numa fase de pensamento próprio que poderão fazer decisões sobre os comportamentos aceitáveis na sociedade?
O que se toma como inevitável é a comercialização e controlo da informação privada de utilizadores, da sua utilização por aqueles no poder.
Ana Serra
«Escolha a vida, escolha um emprego, escolha uma carreira, escolha uma família. Escolha uma grande TV … »
Lembre-se de Trainspotting? O filme nos cativou com um discurso transgressivo; nos convidou a abraçar o niilismo, a busca do prazer imediato e a autodestruição como a única alternativa a um sistema voraz que consumia nossas existências mundanas.
20 anos depois, como se fosse um software, a sequela desse mesmo filme nos ofereceu uma versão atualizada do mesmo discurso:
«Escolha a vida. Escolha o Facebook, Twitter, Instagram e reze para que alguém em algum lugar se importe … »
E isso é certamente verdade, há alguém em algum lugar que se importa e muito.
O Samsara, (ciclo de reencarnações budistas) já é história; Agora você não precisa esperar pela sua próxima vida para reunir os frutos que você semeia durante a sua existência.
Seja gentil, cumprimente seus vizinhos, seja educado, e com um pouco de sorte você terá um Green Channel que lhe permite viajar, um bom serviço sanitário e um ótimo trabalho.
Existem várias referências que podem orbitar em perfeita harmonia com a iniciativa distópica que o governo chinês pretende realizar.
Foucault na sua biopolítica, falou de que as novas formas de poder impõem normas a nós sem que tenhamos consciência disso, cuja intenção não é mais subtrair a vida, mas produzi-la, regulá-la, torná-la eficiente.
O Panóptico Digital de Byung Chul Han usa a mesma ideia, dando-lhe a estrutura arquetípica da arquitetura da prisão.
Os irmãos Wachowski; já em 1999 previam o futuro da existência humana como mera fonte de energia a serviço das supra estruturas de um sistema hiper-tecnológico.
Longe da visão orwelliana, em que o sistema parecia obedecer às ordens de uma elite maquiavélica desprovida de escrúpulos e sedenta de poder, o que propomos aqui está mais próximo da ideia de um demiurgo sem cabeça. Um organismo vivo que vagueia pelas ruas das nossas cidades e que pouco a pouco acabará sendo instalado em cada uma de nossas cabeças.
Será que o hedonismo autodestrutivo e a lisergia imediata (como Mark Renton, Sick Boy, Spud e Tommy propõem) são a solução mais sensata?
Hoje estamos diante do ressurgimento do grande irmão, de uma autocracia capaz de censurar e subjugar seus cidadãos. Dos casos de vigilância massiva e integração de tecnologias de detecção facial e processamento de grandes quantidades de dados, observamos como essa distopia Orwelliana ameaça se tornar uma realidade.
O autor do artigo “Todos somos dados” consegue expor esse fenômeno a partir de processos sócio-políticos que estão moldando essa distopia: a colaboração da Big Tech com o governo dos Estados Unidos, cujos efeitos colaterais são coercitivos socialmente (PENNY, 2016) e sistemas de pontuação usados pelo governo de Xi Jinping para moldar a moral e os comportamentos do povo chinês.
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PENNY, Jon “Chilling Effects: Online Surveillance and Wikipedia Use“. Berkeley Technology Law Journal, Vol. 31, No. 1, p. 117, 2016. DOI: http://dx.doi.org/10.15779/Z38SS13
Não há nada de novo sob o sol. Plataformas digitais fazem parte de nossas rotinas, e diariamente permitimos que nossos rastros digitais seja trocados por experiências que já não sabemos se conseguimos viver sem. Por outro lado, a aproximação dos governos com as gigantes da tecnologia colocam em cheque questões fundamentais sobre liberdade e controle. Até que ponto nossa submissão ao Big Brother seria uma realidade sustentável? O monopólio da informação estaria a serviço de um constante reajuste democrático das sociedades ou tudo figura apenas como a atualização da soberania dos interesses políticos e econômicos sob a humanidade?
Debates a parte, a história nos mostra que o bem geral, quando controlado e mediado por uma elite dominante, não nos oferece prognósticos de uma realidade mais livre e mais justa. Muito pelo contrário, no ritmo acelerado em que os algoritmos nos assistem, nos entendem e nos controlam, fica o desafio de saber como a humanidade despertará desse suposto sonho de um mundo ideal como uma resposta a equação de nossa existência.
Fabio De Almeida
Comentário ao artigo do Expresso “Somo todos Dados? Texto: David Samuels, WIRED. Fevereiro, 2019.
Atualmente, existe na China um sistema de crédito social, no qual os indivíduos são monitorizados através das suas ações online – um Big Brother do século XXI, que pune ou recompensa os cidadãos consoante as suas ações.
Apesar de não existir um sistema semelhante no Ocidente, várias empresas privadas trabalham com big data – recolhem, analisam e até vendem os dados dos utilizadores. O Facebook esteve, em dezembro de 2018, envolvido numa polémica relativa à recolha de dados sem o consentimento dos utilizadores.
Numa perspetiva mais negativa, esta recolha de dados por estas empresas, a utilização de algoritmos e IA e mesmo de sistemas como o Echo, da Amazon, significam uma maior vigilância sobre os utilizadores, tanto pelas empresas como pelos próprios governos.
Por outro lado, o artigo apresenta uma perspetiva mais positiva, utópica mesmo, na qual os algoritmos bons poderiam ajudar a criar uma Internet mais “limpa”, com menos discursos de ódio e ajudar a combater racismo, sexismo, xenofobia, entre outros problemas sociais.
No entanto, os algoritmos não podem substituir nunca a responsabilidade humana, visto que o que estes podem errar. Para além disso, o que é considerado discurso de ódio ou violência para alguém pode não o ser para outra pessoa – o que também enviesa as decisões dos bots sobre censurar ou não algum conteúdo.
Quando pensamos num mundo controlado por grandes associações, onde os nossos pensamentos, ações e decisões são tomadas por uma terceira frente, acreditamos ingenuamente que é remota a nós; mas na realidade o que estamos vivendo agora é um fato ao que poucas pessoas escapam.
Essa imagem “manipuladora” da mídia de massa invadiu-nos até o núcleo. Fazemos tentativas regularmente fúteis para passar de incógnito, e sem perceber como estamos a cair nas armadilhas, que os nossos comportamentos são expostas e estão à venda pela melhor oferta.
Esta é uma imagem cada vez mais frequente, e esses mitos que vieram-nos falar sobre quedas, agora cercam- nos na vida cotidiana. As primeiras histórias sobre “algo maior” que ele nos observou tinham um toque de misticismo, assim como no livro quase apocalíptico do George Orwells – 19884, no entanto, hoje ele já tem nome e rosto; são marcas, aplicativos e pessoas que permitimos entrar em nossas casas e gerenciar as nossas vidas. Talvez devêssemos ser mais objetivos do que confiar que o que produzem em nós é um tipo de segurança e estabilidade para a sociedade e de nós mesmos, mas a realidade é que nós deparamos com a mesma, produzindo o oposto, ansiedade e insegurança. Porque não podemos pensar e criar histórias em nossas cabeças do que achamos que é a consequência de ter agido e respondido desta ou daquela maneira falhando assim ao sistema, por isso aceitamos a ideia de não merecer as promessas vendidas e estar sempre ao serviço e as demandas dele.
[1] https://leitor.expresso.pt/semanario/SEMANARIO2415/html/revista-e/-e-1/Todos-somos-dados